A nova tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre a carne bovina e o café brasileiros começou a valer em 1º de agosto de 2025 e já está causando forte impacto no bolso dos consumidores americanos. O aumento dos preços desses produtos básicos, como hambúrguer e café, reacendeu o debate sobre os efeitos negativos da medida.
Nos supermercados americanos, o preço médio da carne bovina chegou a US$ 9,26 por libra (cerca de R$ 60 por meio quilo), com a carne moída subindo 12% e o bife alcançando US$ 11,49 por libra. Esse aumento acontece em meio à crise no rebanho bovino dos EUA, que está no menor nível em mais de 70 anos. Com a tarifa, o custo da carne brasileira chega a 76% sobre o volume excedente da cota de importação. Exportadores como JBS e Marfrig reduziram os embarques em 62%, e o Brasil já estima perdas de pelo menos US$ 1 bilhão no segundo semestre.
O café brasileiro, que representa um terço das importações americanas, também sofreu os efeitos da tarifa. O preço por xícara nos EUA subiu 9% e pode aumentar ainda mais. Substituir o Brasil por outros produtores, como Vietnã ou Colômbia, é inviável no curto prazo devido à escala e ao custo. Enquanto isso, o Brasil redireciona sua produção para a China, que já autorizou a entrada de 183 exportadores nacionais.
Para especialistas como Fernando Hessel, a decisão americana é estratégica, mas mal planejada, agravando a inflação alimentar sem resolver os problemas estruturais da produção nos EUA. Organizações de defesa do consumidor e analistas econômicos alertam que a medida pode ter efeito contrário ao desejado, prejudicando o próprio mercado americano.
O Brasil, embora impactado no curto prazo, demonstra resiliência. O setor agrícola, responsável por cerca de 20% do PIB, já avança para diversificar mercados. No entanto, o excedente não absorvido pelos EUA gerou queda nos preços internos da carne e do café, enquanto os consumidores americanos pagam mais caro.
Para Hessel, os EUA podem estar sabotando a si mesmos. A grande dúvida agora é: até quando os consumidores americanos vão aguentar essa estratégia no bolso?


