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segunda-feira, março 16, 2026

Morte do cão comunitário Orelha é concluída pela polícia e caso vai à Justiça em Santa Catarina

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A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu o inquérito que investigou a morte do cão comunitário Orelha, figura conhecida e querida por moradores e comerciantes da Praia Brava, em Florianópolis. O material foi encaminhado ao Ministério Público após meses de investigação, que reuniu mais de mil horas de imagens de câmeras de segurança, depoimentos de 24 testemunhas e laudos periciais.

Segundo a apuração, um único adolescente foi identificado como autor direto das agressões que levaram à morte do animal. Orelha, que tinha aproximadamente 10 anos e era conhecido pelo comportamento dócil e convivência tranquila com moradores e turistas, foi atacado na madrugada do dia 4 de janeiro. Conforme o laudo da Polícia Científica, o cão sofreu uma pancada contundente na cabeça, compatível com chute forte ou golpe com objeto rígido, como madeira ou garrafa. Socorrido por populares, ele não resistiu aos ferimentos e morreu no dia seguinte, após passar por atendimento veterinário e ser submetido à eutanásia.

Durante a investigação, a polícia descartou a participação de outros três adolescentes que inicialmente figuravam como suspeitos. O jovem apontado como responsável apresentou contradições em depoimentos e teria omitido informações relevantes, de acordo com o delegado Renan Balbino, responsável pelo caso, conduzido pela Delegacia Especializada no Atendimento de Adolescentes em Conflito com a Lei (DEACLE) em conjunto com a Delegacia de Proteção Animal (DPA).

Imagens de monitoramento analisadas pelos investigadores mostram o adolescente deixando um condomínio por volta das 5h25 e retornando cerca de 30 minutos depois acompanhado de uma jovem, versão considerada divergente do relato inicial prestado por ele. A polícia também apreendeu roupas usadas no dia do crime e registrou comportamentos considerados suspeitos por parte de familiares durante abordagem em um aeroporto, incluindo a tentativa de ocultar um boné. Três adultos, parentes dos investigados, foram indiciados por coação a testemunhas.

A defesa do adolescente contestou as conclusões do inquérito e sustenta que as provas são circunstanciais. Os advogados apresentaram um vídeo que, segundo eles, mostraria Orelha caminhando normalmente por volta das 7h do dia 4 de janeiro, horário posterior ao estimado pela polícia para a agressão. Apesar da contestação, o inquérito já foi encaminhado ao Judiciário, que deverá decidir sobre o pedido de internação provisória do adolescente, medida equivalente à prisão preventiva no sistema aplicado a adultos.

tentativa de afogamento contra outro cão também é investigada

No mesmo procedimento investigativo, a Polícia Civil apurou maus-tratos contra outro cão comunitário da região, conhecido como Caramelo. Quatro adolescentes foram responsabilizados por atos infracionais análogos ao crime de maus-tratos, incluindo uma tentativa de afogamento do animal no mar. Caramelo conseguiu escapar, foi resgatado e posteriormente adotado pelo delegado-geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel.

As condutas relacionadas a esse episódio também foram encaminhadas ao Ministério Público. Por envolver adolescentes, o processo tramita sob segredo de Justiça, mantendo sigilo sobre nomes, idades e detalhes pessoais dos envolvidos, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

A morte de Orelha gerou grande repercussão nacional e reacendeu debates sobre violência contra animais, empatia entre jovens e a aplicação das leis de proteção animal. Na Praia Brava, moradores e comerciantes lamentam a perda do cão, que circulava livremente pela região há cerca de uma década e era considerado parte da comunidade. Agora, a expectativa gira em torno da decisão judicial e das possíveis medidas socioeducativas a serem aplicadas no caso.

Se quiser, posso adaptar o texto para o padrão editorial do in9news, deixar mais chamativo ou preparar versão para redes sociais também.

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