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segunda-feira, março 16, 2026

Cientista brasileira desenvolve proteína em formato de cruz que pode ajudar pacientes a voltarem a andar

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Uma descoberta científica brasileira vem despertando atenção internacional e reacendendo a esperança de pacientes com lesões medulares graves. Liderada pela pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio, uma equipe da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) desenvolveu a polilaminina, uma proteína bioengenheirada que tem potencial para estimular a regeneração do sistema nervoso e devolver movimentos a pessoas com paraplegia e tetraplegia.

proteína inspirada na placenta humana

A pesquisa tem como base a laminina, proteína natural presente em grande quantidade na placenta humana e fundamental para a formação do sistema nervoso durante o desenvolvimento embrionário. O diferencial do estudo está na modificação dessa molécula.

Sob microscópio, a laminina apresenta uma estrutura molecular semelhante a uma cruz. A partir dessa característica, os cientistas conseguiram potencializar a ação da proteína, criando a polilaminina, capaz de estimular o crescimento de células nervosas.

como a substância atua no organismo

Quando aplicada diretamente na área lesionada da medula espinhal, a polilaminina funciona como um “andaime biológico”. A substância recria um ambiente semelhante ao da formação do sistema nervoso ainda no útero, estimulando o crescimento dos axônios — estruturas responsáveis pela transmissão dos impulsos nervosos.

Com isso, pode ocorrer a reconexão entre o cérebro e os músculos, possibilitando recuperação parcial ou até significativa dos movimentos.

resultados iniciais impressionam especialistas

Embora o tratamento ainda esteja em fase experimental, alguns pacientes já apresentaram resultados considerados promissores pela equipe médica.

Entre os casos acompanhados está o de Luiz Fernando Mozer, que ficou tetraplégico após um acidente de motocross e relatou retorno da sensibilidade e contrações musculares poucos dias após a aplicação.

Outro caso é o do jovem Luís Otávio, vítima de disparo de arma de fogo, que recuperou movimentos das mãos após receber o tratamento experimental. Já Bruno Drummond, que sofreu um acidente automobilístico em 2018, conseguiu voltar a ficar em pé e hoje caminha com auxílio após participar do estudo.

avanço da ciência pública brasileira

A pesquisa é resultado de investimento em ciência pública e conta com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ). O projeto também possui parceria com o laboratório farmacêutico Cristália.

Os testes clínicos receberam autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e atualmente estão na fase inicial, voltada à avaliação da segurança do tratamento.

tratamento ainda é experimental

Apesar do otimismo, especialistas reforçam que a polilaminina ainda não está disponível para uso comercial. As próximas etapas dos estudos serão fundamentais para comprovar a eficácia em larga escala e estabelecer protocolos médicos seguros.

Mesmo assim, a descoberta já é considerada um dos avanços mais promissores da medicina regenerativa brasileira e pode representar, no futuro, uma mudança histórica no tratamento de lesões medulares.

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