O Sindicato dos Peritos Oficiais do Estado do Amazonas (SINPOEAM) emitiu uma nota oficial nesta quinta-feira (9) sobre o incidente envolvendo jornalistas na Avenida dos Oitis, Distrito Industrial II. A entidade argumentou que a cobertura da imprensa no local do acidente estava comprometendo a integridade do trabalho pericial e ressaltou a necessidade de isolamento rigoroso para preservar vestígios.
De acordo com o sindicato, o Código de Processo Penal determina que a Polícia Militar deve isolar a área para evitar alterações na cena. No episódio em questão, a falta de um isolamento adequado teria permitido que um indivíduo — identificado como profissional de imprensa, porém sem credenciamento visível — permanecesse no perímetro crítico, o que, segundo os peritos, colocou provas essenciais em risco.
Embora reafirme o respeito à liberdade de imprensa, o Sindicato destacou que a segurança da investigação deve prevalecer sobre o imediatismo ou o sensacionalismo. “Situações como essa podem levar à perda de vestígios e comprometer a justiça”, diz o comunicado. A entidade finalizou cobrando das autoridades o cumprimento das normas e a responsabilização por falhas no isolamento das cenas de crime.
Confira a nota na íntegra abaixo:
O Sindicato dos Peritos Oficiais do Estado do Amazonas vem, por meio desta nota de esclarecimento, manifestar-se sobre episódio ocorrido em cena de crime, com o objetivo de reforçar a importância do cumprimento das normas legais e preservar a integridade do trabalho pericial. De acordo com o Código de Processo Penal (CPP), especialmente em seu artigo 6º, inciso I, compete à Polícia Militar (PM) o resguardo do local do crime, isolando a área para evitar qualquer alteração no estado das coisas. Essa medida é essencial para preservar vestígios e provas, garantindo a eficácia da persecução penal e a execução da justiça.
Infelizmente, em situações em que essa função não é adequadamente executada, pessoas não autorizadas acessam o local, contaminando vestígios e comprometem futuras análises periciais. No caso concreto, o local não estava devidamente isolado, permitindo a entrada de uma pessoa que se apresentou como integrante da imprensa sem comprovação de formação ou credenciamento adequado. Apesar dos pedidos do perito responsável para que se retirasse, a indivíduo permaneceu no local, contaminando provas e prejudicando a execução da períciatécnica.
O Sindicato respeita e valoriza a imprensa, que historicamente tem sido parceira da perícia criminal em prol da sociedade. No entanto, não podemos tolerar que, em busca de likes ou sensacionalismo, vestígios sejam perdidos, provas comprometidas e a justiça deixe de ser feita. A segurança do processo investigativo — deve prevalecer sobre interesses individuais.
Reforçamos nosso compromisso com a transparência, a legalidade e a defesa da categoria pericial, cobrando das autoridades o cumprimento rigoroso das normas e a responsabilização por eventuais falhas.
Amazonas, 09 de abril de 2026.


