O influenciador digital Gabriel Silva passou a ser alvo de apuração do Ministério Público do Amazonas (MPAM) após publicar vídeos com críticas à Zona Franca de Manaus e declarações consideradas ofensivas à população amazonense. A investigação preliminar foi confirmada nesta terça-feira (19) e ocorre por meio de duas notícias de fato abertas pela 91ª Promotoria de Justiça de Manaus.
A medida foi tomada após denúncia apresentada pela Associação Comercial do Amazonas (ACA), que acusa o influenciador de possível xenofobia regionalista e atentado contra a ordem econômica. Em um dos vídeos publicados nas redes sociais, Gabriel afirmou que o Polo Industrial de Manaus “não produz nada” e sugeriu que os produtos são apenas montados “em fábricas em cima de árvores”, além de usar o termo “índios” ao comentar sobre os trabalhadores da região.
Segundo a ACA, as declarações ultrapassaram o limite da crítica e reforçam estereótipos discriminatórios contra o Amazonas e sua população. A entidade também afirmou que as falas podem prejudicar a imagem da Zona Franca de Manaus e do Polo Industrial, que representam parte importante da economia do estado. Entre os pedidos feitos ao MPAM estão a abertura de investigação criminal, a remoção dos conteúdos das redes sociais e eventual ação por danos morais coletivos.
Após a repercussão do caso, Gabriel Silva publicou um vídeo desafiando o Ministério Público e afirmando que queimaria qualquer notificação enviada pelo órgão. Dias depois, porém, mudou o tom e divulgou um pedido de desculpas aos amazonenses, dizendo que foi orientado a gravar o conteúdo. Procurado pela imprensa, o influenciador afirmou que considera exagerada a repercussão das falas diante de outros problemas políticos do país.
O Ministério Público informou que a fase atual serve apenas para reunir informações iniciais sobre o caso e que ainda não há acusação formal contra o influenciador. Após a análise do material, o órgão poderá arquivar a denúncia, adotar medidas extrajudiciais ou abrir investigação própria, conforme previsto na legislação.


