A Polícia Federal transferiu o banqueiro Daniel Vorcaro para uma cela comum na Superintendência da corporação em Brasília, nesta segunda-feira (18). A transferência de regime foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), permitindo que o empresário seja submetido às regras padrão de detenção da instituição.
Dono do Banco Master, Vorcaro estava sob custódia em uma cela especial desde março. O benefício havia sido concedido temporariamente para que o banqueiro mantivesse reuniões frequentes com seus defensores, visando à formulação de uma proposta de acordo de delação premiada, documento que foi apresentado oficialmente à PF e à Procuradoria-Geral da República (PGR) há duas semanas.
No pedido encaminhado ao STF, a Polícia Federal argumentou que o acesso irrestrito aos advogados perdeu o objeto de utilidade, uma vez que a proposta de colaboração já foi formalizada. Com a nova determinação, Vorcaro passa a ocupar um espaço menor e tem suas consultas jurídicas limitadas a dois encontros diários de, no máximo, 30 minutos cada — uma redução drástica em comparação ao regime anterior, que permitia visitas livres das 9h às 17h.
A mudança também reflete o descontentamento dos investigadores com o teor das declarações do executivo. A avaliação interna da PF é de que a proposta de delação ficou muito aquém do esperado, apontando que o volume de provas e informações já acumuladas pelas autoridades sobre o esquema de fraudes supera o que o banqueiro se prontificou a revelar. Diante do impasse e da frustração com o material apresentado, a Polícia Federal solicitou ao ministro André Mendonça o retorno imediato de Daniel Vorcaro ao Complexo Penitenciário da Papuda, pedido que ainda aguarda despacho do STF.


