O senador Eduardo Braga (MDB-AM) defendeu a importância da experiência e da articulação política para garantir o desenvolvimento do Amazonas e enfrentar desafios históricos do estado. Em entrevista concedida à Rádio Difusora ao jornalista Daniel Anzoategui, Braga abordou temas como a defesa da Zona Franca de Manaus, a recuperação da BR-319, a modernização das relações de trabalho, a aviação regional e a necessidade de ampliar as oportunidades econômicas para os amazonenses.
Braga defende fim da escala 6×1
Ao comentar o debate sobre a jornada de trabalho, Braga declarou ser favorável à substituição da escala 6×1 por modelos mais flexíveis, que garantam mais tempo de descanso aos trabalhadores sem prejuízos para a atividade econômica.
Segundo o senador, as transformações tecnológicas e as novas formas de trabalho exigem uma atualização das relações entre capital e trabalho.
“A escala 5×2 não é nenhum bicho-papão. Ela representa uma modernização da relação de trabalho, acompanhando as mudanças trazidas pela tecnologia e pela nova dinâmica da economia”, afirmou.
Braga defendeu mecanismos como banco de horas e acordos flexíveis para permitir a transição de forma equilibrada, preservando os direitos dos trabalhadores e a competitividade das empresas.
“O trabalhador precisa ter mais tempo para a família, para o lazer e para se qualificar. Quanto mais feliz está o trabalhador, maior é a sua produtividade e eficiência”, acrescentou.
Durante a entrevista, Braga destacou a importância da Zona Franca de Manaus como principal motor da economia amazonense e lembrou a recente vitória judicial obtida contra uma ação movida pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Segundo ele, a conquista foi resultado de uma ampla articulação que reuniu entidades como a Associação Comercial do Amazonas, Centro da Indústria do Estado do Amazonas, Federação das Indústrias, Federação do Comércio e Câmara de Dirigentes Lojistas.
Braga também ressaltou o trabalho realizado durante a Reforma Tributária para preservar os incentivos da Zona Franca até 2073 e afirmou que o modelo continua sendo a principal ferramenta de desenvolvimento econômico do estado.
“O Amazonas enfrenta adversários poderosos. Por isso, é fundamental ter representantes que conheçam os caminhos de Brasília e saibam construir articulações para defender os interesses da nossa população”, afirmou.
O senador também rebateu argumentos de que a falta de áreas disponíveis possa limitar a expansão do Polo Industrial de Manaus. Segundo ele, o Amazonas possui espaço suficiente para receber novos empreendimentos e o que falta é planejamento e infraestrutura para viabilizar essa expansão.
Ao falar sobre o futuro da economia amazonense, Braga defendeu a atração de novos investimentos em áreas como data centers, inteligência artificial, drones, mineração e bioeconomia.
Segundo ele, o Amazonas reúne vantagens competitivas importantes, como disponibilidade de água, energia, localização estratégica e incentivos fiscais, fatores que podem impulsionar novos ciclos de desenvolvimento.
O senador destacou que o estado tem potencial para se tornar um polo de data centers, setor que vem sendo disputado por diversas regiões do mundo, além de defender a ampliação da produção de drones e tecnologias voltadas ao monitoramento ambiental e à segurança de fronteiras.
Braga também voltou a defender investimentos na pesquisa aplicada à biodiversidade amazônica para ampliar a produção de fármacos, cosméticos e fitoterápicos desenvolvidos a partir dos recursos da floresta.
A BR-319 foi outro tema de destaque na entrevista. Braga reafirmou seu compromisso com a recuperação da rodovia e defendeu que a obra seja acompanhada por sistemas modernos de monitoramento ambiental, inteligência artificial e uso de drones para fiscalização em tempo real.
Segundo ele, a estrada é fundamental para integrar o Amazonas ao restante do país, reduzir custos logísticos e garantir mais oportunidades de desenvolvimento para a população.
“O Amazonas não pode continuar isolado. É possível conciliar desenvolvimento e preservação ambiental com tecnologia, planejamento e fiscalização”, disse.
O senador também voltou a defender a conclusão das obras da rodovia e afirmou que a recuperação da BR-319 é uma das prioridades para o futuro do estado.
Braga classificou a situação da aviação regional como um dos principais desafios do Amazonas e defendeu a criação de uma empresa pública estadual para garantir a integração aérea dos municípios do interior.
Segundo ele, o alto custo das passagens e a falta de voos regulares prejudicam o acesso da população a serviços essenciais, especialmente nas áreas de saúde, educação e desenvolvimento econômico.
“Aviação regional no Amazonas não é luxo. É necessidade. Em muitos municípios, o avião é a única forma rápida de garantir atendimento e salvar vidas”, afirmou.
O senador também defendeu a construção e recuperação de aeroportos em cidades estratégicas do interior, além da ampliação da malha aérea regional.
Ao longo da entrevista, Braga afirmou que continuará defendendo pautas voltadas à geração de emprego e renda, fortalecimento da Zona Franca, recuperação da BR-319, ampliação da infraestrutura energética, incentivo ao microcrédito, expansão do programa Minha Casa, Minha Vida e investimentos em educação e saúde.
O senador também defendeu a necessidade de ampliar a oferta de crédito para pequenos empreendedores e fortalecer políticas públicas capazes de gerar oportunidades tanto na capital quanto no interior.
Para Braga, o Amazonas possui potencial para crescer de forma sustentável, mas precisa de planejamento, união e capacidade de articulação política para transformar oportunidades em resultados concretos para a população.
“Temos recursos naturais, potencial econômico e capacidade de crescer. O que precisamos é de planejamento, força política e união para transformar essas oportunidades em desenvolvimento para o nosso povo”, concluiu.


