O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) encaminhou um ofício ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) defendendo que o Brasil assuma um compromisso legislativo para impedir que o Pix seja integrado a mecanismos internacionais de compensação financeira ligados aos países do Brics e fora da esfera ocidental. A manifestação ocorre em meio à investigação comercial aberta pelos Estados Unidos sobre práticas brasileiras no setor de pagamentos eletrônicos.
No documento, Flávio afirma que um dos principais sinais de compromisso seria garantir, por meio de legislação, que o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos não seja conectado a plataformas transfronteiriças consideradas “não ocidentais”. Segundo ele, essa medida contribuiria para reduzir preocupações do governo norte-americano sobre o sistema financeiro brasileiro.
O senador também argumenta que o Pix não representa uma ameaça às empresas americanas de meios de pagamento. No texto, ele afirma que o sistema é uma infraestrutura pública de pagamentos e não uma empresa concorrente, destacando que o crescimento do uso de cartões continuou mesmo após a implantação do Pix e que a inclusão financeira ampliou o mercado para empresas de tecnologia e comércio eletrônico dos Estados Unidos.
Além disso, Flávio sustenta que eventuais tarifas comerciais impostas pelos EUA não afetariam a estrutura do Pix e poderiam prejudicar investimentos americanos no Brasil. O documento também reúne referências às iniciativas do governo brasileiro voltadas à desdolarização da economia, como acordos entre Brasil e China para liquidação de operações em moedas locais e debates no âmbito do Brics sobre sistemas alternativos de pagamentos internacionais.
A manifestação foi apresentada no contexto da investigação conduzida pelo USTR, que analisa práticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, propriedade intelectual, corrupção, etanol e desmatamento.


