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quarta-feira, julho 15, 2026

PF encontra empresas de fachada que movimentaram R$ 312 milhões em esquema de fraude no INSS

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A Polícia Federal (PF) identificou empresas registradas em salas comerciais sem qualquer estrutura de funcionamento que movimentaram cerca de R$ 312,4 milhões durante o esquema de fraudes envolvendo descontos ilegais em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A informação consta no relatório final da investigação da Operação Sem Desconto, que apura um desvio superior a R$ 700 milhões de aposentados e pensionistas.  

De acordo com a investigação, os recursos passaram por empresas ligadas ao casal Cícero Marcelino de Souza Santos e Ingrid Pikinskeni Morais Santos, apontados como operadores financeiros da organização criminosa. As empresas funcionariam apenas no papel e eram utilizadas para movimentar grandes quantias de dinheiro e dificultar o rastreamento dos valores.  

Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão, realizado em abril de 2025, agentes da PF encontraram os imóveis praticamente vazios, sem funcionários, computadores, documentos ou qualquer estrutura compatível com a intensa movimentação financeira registrada. Testemunhas também relataram que as salas permaneciam fechadas durante o horário comercial e não apresentavam atividade empresarial.  

Segundo o relatório, após o INSS repassar os recursos provenientes dos descontos associativos à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), aproximadamente 91% do dinheiro era transferido para empresas ligadas ao grupo investigado. Essas empresas tinham atividades registradas em diferentes segmentos, como consultoria, locação de veículos, papelaria e agropecuária, mas serviriam para pulverizar os recursos e ocultar sua origem.  

Nas buscas realizadas na residência dos investigados, a Polícia Federal apreendeu uma BMW X5, uma Land Rover Defender, armas de fogo, R$ 12.490 em espécie e diversos equipamentos eletrônicos, que serão periciados. As investigações apontam que Cícero Marcelino coordenava a movimentação financeira da organização, mantendo contato com outros integrantes do esquema e controlando o fluxo dos recursos por meio da rede de empresas.  

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