Os Estados Unidos anunciaram uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após concluírem uma investigação comercial que apontou supostas práticas consideradas prejudiciais aos interesses norte-americanos. Entre os principais argumentos apresentados pelo governo dos EUA estão críticas ao sistema de pagamentos Pix, ao combate ao desmatamento ilegal, à política anticorrupção e a medidas relacionadas ao comércio digital.
De acordo com o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), o Brasil teria adotado, ao longo de décadas, políticas que favorecem produtores nacionais e criam barreiras para empresas norte-americanas. O relatório afirma que essas práticas seriam “desleais” e justificariam a aplicação de medidas comerciais contra o país.
Entre os pontos destacados está o Pix. O governo dos EUA alega que o sistema de pagamentos instantâneos, desenvolvido pelo Banco Central, teria recebido tratamento regulatório que favoreceria soluções nacionais em detrimento de empresas estrangeiras do setor financeiro e de pagamentos digitais. O relatório também menciona preocupações com regras do comércio eletrônico e da economia digital.
Outro aspecto citado é o desmatamento ilegal. Segundo o documento, a fiscalização ambiental brasileira seria insuficiente para combater práticas ilegais que afetam a competitividade internacional e o comércio de produtos ligados ao setor agropecuário. A investigação também aponta críticas à atuação brasileira no combate à corrupção, alegando um enfraquecimento da aplicação das leis nessa área.
Além disso, o relatório menciona questões relacionadas à proteção da propriedade intelectual, tarifas comerciais, preferências concedidas a determinados setores da economia e decisões envolvendo plataformas digitais e liberdade de expressão, que, na avaliação dos EUA, impactariam empresas norte-americanas.
Em resposta ao anúncio, o governo brasileiro informou que utilizará a Lei da Reciprocidade Comercial para avaliar medidas contra a decisão norte-americana e reforçou que buscará defender os interesses do país nas negociações internacionais.


