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terça-feira, agosto 11, 2026

Brasil atinge 90% da cota de carne bovina para a China

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O Brasil já atingiu 90% da cota anual estabelecida pela China para a importação de carne bovina brasileira em 2026. O volume foi alcançado na segunda-feira (10), segundo comunicado divulgado pelo Ministério do Comércio chinês (Mofcom).

Até o momento, 995,4 mil toneladas de carne bovina in natura brasileira foram contabilizadas como desembarcadas na China. A cota destinada ao Brasil neste ano é de 1,106 milhão de toneladas, com tarifa de 12% dentro do limite estabelecido.

A medida faz parte de uma salvaguarda adotada pelo governo chinês para proteger o mercado interno diante do aumento das importações de carne bovina. Caso a cota seja totalmente preenchida, o volume que ultrapassar o limite ficará sujeito a uma tarifa adicional de 55%. A sobretaxa começará a ser aplicada a partir do terceiro dia após o esgotamento da cota.

O cenário preocupa o setor brasileiro porque existe uma diferença entre os números contabilizados pela China e os acompanhados pelos frigoríficos brasileiros. Enquanto o governo chinês considera a carne quando ela é desembaraçada e entra no território do país, o setor brasileiro também contabiliza cargas que já foram embarcadas, mas ainda estão em trânsito. Como o transporte pode levar até dois meses, parte da carne já enviada ainda não aparece nos dados chineses.

Os embarques também apresentaram queda nos últimos meses. Em julho, o Brasil enviou 85,7 mil toneladas de carne bovina para a China, o menor volume mensal de 2026 e uma redução de 47% em relação às 161,8 mil toneladas registradas em junho.

O faturamento também recuou. As exportações passaram de US$ 1,08 bilhão em junho para US$ 537,8 milhões em julho, queda de 50,3%. Do total embarcado em julho, 82,7 mil toneladas eram de carne bovina in natura, modalidade considerada no cálculo da cota chinesa.

Com a aproximação do limite, o setor acompanha a situação com atenção, já que o aumento da tributação pode elevar os custos para os importadores chineses e afetar o ritmo das exportações brasileiras para um dos principais mercados consumidores da carne nacional.

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