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sábado, agosto 29, 2026

Projeto Órfãos do Feminicídio vence Selo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública como uma das 4 melhores práticas do Brasil e vira lição de abraço no Jorge Teixeira pelas mãos da professora Edvania Marinho

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Trabalho da Escola Municipal Francisco Maia de Amorim, no bairro Jorge Teixeira, foi um dos selecionados na proposta da SEMED de valorizar os melhores trabalhos da rede municipal; projeto da defensora Carol Braz está entre as quatro experiências premiadas com Selo FBSP 2026

MANAUS – Há conquistas que nascem na Justiça e há conquistas que nascem no coração de uma professora. Nesta sexta-feira, 28 de agosto de 2026, Manaus celebrou as duas no mesmo lugar: no bairro Jorge Teixeira.

A convite do chefe da Divisão Distrital Zonal Leste II, Daniel Laborda, professores e alunos se reuniram das 8h às 12h, no CIME Josefina Rosa de Mattos Pereira de Castro, na Rua São Paulo, para a XIV Feira Municipal de Ciências, Tecnologia e Educação Ambiental – Fase DDZ. Com o tema “Educação Transforma e Muda Vidas”, a SEMED queria valorizar os melhores trabalhos da rede. E conseguiu.

Entre maquetes e experimentos, um estande roxo parava todo mundo: o “Guardiãs do Futuro”.

Ali estava o projeto Órfãos do Feminicídio, da defensora pública Carol Braz, coordenadora do Nudem da Defensoria Pública do Amazonas. O projeto está entre as quatro experiências premiadas em 2026 com o Selo FBSP de Práticas Inovadoras de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres. A premiação ocorrerá durante o 20º Encontro Anual do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, de 15 a 18 de setembro, em São Paulo.

Criado em 2018, o projeto nasceu do olhar atento de Carol para quem ninguém via: cerca de 80 crianças e adolescentes que ficaram órfãos após o feminicídio de suas mães no Amazonas. Um trabalho que já venceu o Prêmio Innovare e que foi tão necessário que virou lei: a Lei Federal nº 14.717/2023, que hoje garante pensão especial a esses filhos.

Se o prêmio veio de São Paulo, o abraço veio do Jorge Teixeira.

A ponte entre a Justiça e a vida real só existiu pela sensibilidade de uma professora que conhece pelo nome cada família da rua. Edvania Marinho, da Escola Municipal Francisco Maia de Amorim, no bairro Jorge Teixeira, não escolheu o tema mais fácil. Escolheu o mais necessário.

Foi ela quem tirou a prática jurídica da gaveta, levou para a sala, conversou com calma com 40 alunos e depois disse: agora vamos para a rua contar para a nossa comunidade. E foram. Caminhada com panfletos, conversa de porta em porta, escuta. A comunidade, que tantas vezes sofre calada, abraçou a ideia.

A professora Edvania Marinho explicou com simplicidade por que fez isso:

“Quando ocorre o feminicídio, a criança fica praticamente invisível. Ela perde a mãe e, muitas vezes, perde também o olhar da sociedade. O que estamos fazendo aqui é ensinando os colegas a serem acolhedores, para não reproduzir violência. Trabalhamos em sala, choramos, conversamos e fomos para as ruas”.

Ao ver sua iniciativa, nascida no atendimento psicossocial da Defensoria, transformada em cartazes feitos à mão por crianças da Zona Leste, a defensora Carol Braz se emocionou:

“O maior prêmio é ver as crianças crescendo com outra consciência. São elas que vão mudar essa história”.

Quem segura essa rede de cuidado todos os dias, há cinco anos, também estava lá. A psicóloga do projeto, Polyana Peixoto Pinheiro, viu a Justiça finalmente no território:

“É um dia de esperança. A Defensoria saiu de quatro paredes, está no território. E essa iniciativa está sendo reescrita pelas próprias crianças, no seu próprio ambiente, principalmente dentro da escola Francisco Maia de Amorim. É fazer esse transborde, de sair de um processo judicial muito doloroso e entender a escola como acolhimento. As crianças falando para as próprias crianças. Elas têm voz. E hoje elas foram ouvidas”.

E foram elas que deram a aula mais importante do dia. Sem juridiquês, sem estatística. No estande da escola, o estudante Lorenzo, aluno da professora Edvania Marinho, com a pureza de quem entendeu tudo, traduziu em uma frase o que a lei tenta garantir e o que o Selo nacional reconhece:

“Quando tiver um órfão, a gente tem que abraçar e dar carinho para ele”.

Uma mulher criou a lei que garante o amparo. Outra mulher, na Escola Municipal Francisco Maia de Amorim, criou o abraço que garante o acolhimento. E a comunidade do Jorge Teixeira, que conhece de perto a dor, mostrou que entendeu o recado e que está pronta para abraçar junto.

Se o Selo FBSP mostra a força de uma prática da Defensoria que virou política pública nacional, a feira de ciências no Jorge Teixeira mostrou o futuro: a Justiça que sai do papel e vira abraço.

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