O trabalho de entrega por aplicativos tem provocado impactos que vão além dos riscos físicos enfrentados diariamente por motociclistas e ciclistas. Em artigo publicado no Metrópoles, o jornalista e estudante de psicologia Fernando Flores aborda os efeitos das condições de trabalho sobre a saúde mental desses profissionais.
Segundo dados da PNAD Contínua sobre Trabalho por Plataformas Digitais, citados no artigo, cerca de 2 milhões de pessoas trabalharam por meio de aplicativos no Brasil em 2025. O texto destaca que esses trabalhadores estão sujeitos a monitoramento por GPS, tempo de entrega, taxa de aceitação e avaliações de clientes.
O artigo também aponta que os entregadores assumem custos como combustível, manutenção, alimentação e equipamentos, além de estarem expostos a acidentes, violência urbana e condições climáticas adversas. Para Flores, essa combinação pode contribuir para situações de estresse, hipervigilância e sofrimento psicológico.
Outro ponto levantado é a ausência de mecanismos considerados importantes para a proteção da saúde mental, como canais de escuta, acompanhamento psicológico, gerenciamento de riscos psicossociais e limites para a jornada de trabalho.
Flores defende que o debate sobre o trabalho por aplicativos precisa considerar não apenas a autonomia e a flexibilidade prometidas pelas plataformas, mas também os impactos das condições de trabalho sobre a saúde e a segurança dos profissionais.
O artigo foi publicado nesta quinta-feira (2), no Blog do Noblat, no Metrópoles.


