O histórico de participação eleitoral no Brasil representa um desafio para a estratégia do PT na disputa presidencial do segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
A campanha petista aposta na mobilização de eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno, em um cenário no qual a diferença entre os dois candidatos ficou apertada. Cerca de 33 milhões de eleitores deixaram de votar na primeira etapa, o equivalente a pouco mais de 21% do eleitorado.
O problema para o PT é que a abstenção historicamente tende a ser maior entre eleitores de menor renda e escolaridade, segmentos nos quais Lula costuma apresentar desempenho mais forte. Por isso, aumentar o comparecimento às urnas pode ser decisivo para a estratégia petista no segundo turno.
Outro fator de atenção é que a abstenção costuma sofrer alterações entre as duas etapas de uma eleição. Em 2022, por exemplo, a taxa passou de 20,95% no primeiro turno para 20,58% no segundo, contrariando a tendência de aumento registrada em algumas eleições anteriores.
A campanha de Lula deverá, portanto, concentrar esforços na mobilização de eleitores que não participaram da primeira votação. O objetivo é transformar parte desse eleitorado ausente em votos efetivos no segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Apesar do peso desse grupo, a abstenção não pode ser automaticamente convertida em votos para nenhum candidato. O comportamento dos eleitores que faltaram às urnas pode variar, incluindo a decisão de votar em um dos concorrentes, votar em branco ou nulo ou novamente não comparecer.
A disputa segue, assim, dependente não apenas da transferência de votos dos candidatos eliminados no primeiro turno, mas também da capacidade das campanhas de mobilizar seus eleitores até o dia da votação.


