Ex-presidente foi detido horas depois de ser destituído pelo Senado; crise envolvendo o Ueno Bank provocou turbulência política e financeira no país.
O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi preso na noite desta sexta-feira (6), após ser destituído do cargo em um processo de impeachment aprovado pelo Senado paraguaio. A determinação de prisão foi expedida pelo Ministério Público, no contexto das investigações sobre o escândalo financeiro envolvendo o banco digital Ueno Bank.
Peña foi localizado em sua residência, na capital Assunção, onde deverá permanecer em prisão domiciliar enquanto as autoridades avançam na apuração e definem as acusações formais contra ele.
A detenção aconteceu poucas horas depois de o Senado aprovar seu afastamento da Presidência, por 44 votos favoráveis e uma abstenção. O processo ocorreu em meio a uma grave crise política e financeira que abalou as instituições paraguaias.
Crise do Ueno Bank provocou queda do presidente
O episódio que desencadeou a crise envolve o Ueno Bank, instituição financeira que entrou em processo de intervenção após o Banco Central do Paraguai identificar problemas graves em seus indicadores de solvência.
A situação provocou preocupação entre milhões de clientes, que ficaram temporariamente sem acesso aos recursos depositados na instituição. O banco também administrava aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos.
Santiago Peña manteve vínculos empresariais com o Grupo Vázquez, controlador do banco, até março de 2025. Essa relação passou a ser questionada por parlamentares da oposição, que levantaram suspeitas de conflito de interesses e possíveis irregularidades na gestão de recursos públicos.
Entre as acusações apresentadas no processo de impeachment estão suposta manipulação da fiscalização bancária, favorecimento de interesses privados, irregularidades envolvendo recursos previdenciários e tentativa de encobrir problemas relacionados à instituição financeira.
As acusações ainda são objeto de investigação e não representam, por si só, uma condenação criminal.
Vice-presidente assume o comando do país
Com a destituição de Santiago Peña, o então vice-presidente Pedro Alliana assumiu a Presidência do Paraguai.
A mudança no comando do Executivo ocorreu imediatamente após a decisão do Senado, em um momento de grande tensão política e de preocupação com os efeitos da crise bancária sobre a população.
Alliana deverá concluir o mandato presidencial, previsto para terminar em agosto de 2028.
Investigação continua
O Ministério Público paraguaio informou que Peña deverá ficar à disposição das autoridades responsáveis pela investigação de crimes econômicos e anticorrupção.
Entre as possíveis acusações investigadas estão lesão de confiança e tráfico de influência. A definição jurídica dos fatos dependerá da análise das provas e do andamento do procedimento criminal.
O caso também envolve o ex-presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, que teve sua prisão determinada pelas autoridades.
A queda de Santiago Peña, seguida de sua detenção, representa um dos episódios mais marcantes da recente história política paraguaia e amplia a pressão sobre as instituições do país para esclarecer as responsabilidades pela crise do Ueno Bank.
Com informações da Reuters, EFE e CNN Brasil.


