O crescimento dos serviços de transporte por aplicativo contribuiu para acelerar a migração de passageiros do transporte coletivo para modalidades individuais de deslocamento em Manaus. A avaliação foi feita pelo doutor em Engenharia de Transportes Geraldo Alves durante entrevista ao programa Cenário Político, do Portal Amazonas 1, divulgada nessa quinta-feira (11).
Segundo o especialista, a perda de usuários do sistema de ônibus não começou com a chegada dos aplicativos. De acordo com ele, o transporte coletivo já vinha registrando redução de passageiros há vários anos, acompanhando uma tendência observada desde a popularização do automóvel. “O transporte coletivo já vinha perdendo passageiros há anos”, afirmou.
Alves explicou que, sempre que possuem condições financeiras e estruturais, as pessoas tendem a optar por meios individuais de transporte.
Segundo ele, essa migração ocorre há décadas e está relacionada à busca por maior autonomia e comodidade nos deslocamentos urbanos.
“Sempre que a gente está falando de mobilidade urbana, quando é possível, as pessoas não pensam duas vezes em migrar do transporte público coletivo para o individual”, disse.
O especialista ressaltou que essa mudança depende de fatores como capacidade financeira, habilitação para dirigir e condições de manutenção dos veículos.
Na avaliação de Alves, os serviços por aplicativo ampliaram as possibilidades de deslocamento individual e facilitaram a saída de usuários do transporte coletivo.
Ele destacou que esse fenômeno envolve tanto automóveis quanto motocicletas, modalidades que passaram a ser acessadas de forma mais simples por meio das plataformas digitais.
“Se tornou um pouco mais fácil sair do transporte coletivo quando entrou em operação esse serviço por aplicativos”, afirmou.
O professor lembrou ainda que o transporte por motocicleta já possuía presença significativa em Manaus antes mesmo da expansão dos aplicativos, por meio dos serviços de mototáxi.
Um dos fatores apontados pelo especialista para explicar a adesão aos aplicativos é a sensação de segurança, especialmente entre as mulheres.
Segundo ele, muitas passageiras buscam reduzir a exposição a situações de vulnerabilidade durante os deslocamentos diários, evitando percursos a pé até pontos de ônibus e períodos de espera em locais isolados.
“Quem escolhe viajar por mototáxi também o faz por questões de segurança”, disse.
Alves citou como exemplo pessoas que moram em áreas periféricas e precisam sair de casa durante a madrugada ou à noite para utilizar o transporte coletivo.
Na avaliação dele, o transporte por aplicativo reduz o tempo de exposição em vias públicas e permite que o deslocamento comece diretamente na residência do usuário.
O especialista também relacionou o crescimento dos aplicativos à busca por conforto e praticidade. Segundo ele, o usuário pode aguardar o veículo em um ambiente protegido, sem necessidade de deslocamento até uma parada ou de espera prolongada pelo transporte.
“Quando eu escolho viajar por um transporte por aplicativo, ele vem na frente da minha casa, do estabelecimento onde eu me encontro”, afirmou.
Além disso, Alves destacou que os aplicativos oferecem vantagens como ar-condicionado, viagens mais rápidas e deslocamento direto até o destino final.
Embora reconheça que o custo dos deslocamentos por aplicativo costuma ser superior ao valor pago no transporte coletivo, o especialista afirmou que parte da população considera esse gasto justificável diante dos benefícios oferecidos. Segundo ele, muitos usuários estão dispostos a investir mais recursos em mobilidade em troca de conforto, segurança e redução do tempo de viagem.
“As pessoas estão escolhendo gastar mais com a mobilidade urbana, pagando pelo conforto adicional, pela comodidade e pela segurança”, declarou.


