O Governo do Distrito Federal (GDF) descredenciou o PicPay e proibiu que a instituição continue realizando descontos diretamente na folha de pagamento dos servidores públicos distritais. A medida foi tomada após investigações sobre possíveis irregularidades envolvendo operações de antecipação salarial oferecidas pelo banco digital.
O descredenciamento foi oficializado pela Casa Civil do DF no início de julho, após a Secretaria de Economia extinguir o Termo de Compromisso nº 01/2024, que autorizava o PicPay a operar descontos compulsórios nos contracheques dos servidores. A decisão ocorre na esteira da Operação Juros Zero, deflagrada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), que apura um suposto esquema de fraudes envolvendo empréstimos e antecipações salariais.
Segundo relatório do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), o PicPay descontou cerca de R$ 81,7 milhões dos salários de servidores entre 2024 e 2025. A Corte identificou indícios de irregularidades na cobrança de uma “taxa de antecipação”, considerada incompatível com a modalidade autorizada de consignação sem juros. Em fevereiro deste ano, o tribunal já havia determinado a suspensão de novos descontos vinculados ao banco digital.
Em nota, o PicPay afirmou que não reconhece qualquer irregularidade nas operações investigadas e declarou que seus produtos seguem as normas vigentes, sendo submetidos a mecanismos de controle e supervisão. A empresa também rejeitou as acusações de cobrança indevida e informou que continuará colaborando com as autoridades durante as investigações.
As investigações seguem em andamento e apuram possíveis crimes relacionados à gestão dos descontos em folha, incluindo suspeitas de fraude, usura, corrupção e organização criminosa. O caso envolve ainda outros órgãos e instituições financeiras que atuavam na operacionalização dos descontos dos servidores do GDF.


