Mais da metade dos estudantes universitários brasileiros que têm filhos já precisou interromper a graduação para dedicar-se aos cuidados com as crianças. É o que aponta uma pesquisa nacional divulgada nesta semana, que revela os desafios enfrentados por mães e pais no ensino superior e reforça a necessidade de políticas de permanência nas universidades.
Segundo o levantamento, 54% dos graduandos com filhos afirmaram já ter abandonado temporariamente o curso em razão das responsabilidades familiares. Entre as mulheres, o impacto é ainda maior, já que a maior parte dos cuidados com os filhos continua recaindo sobre elas, dificultando a conciliação entre maternidade, estudos e trabalho.
A pesquisa também mostra que a falta de creches, de apoio financeiro e de políticas de acolhimento nas instituições de ensino superior está entre os principais fatores que contribuem para a evasão acadêmica desse público. Além disso, muitos estudantes enfrentam dificuldades para manter a frequência às aulas, cumprir prazos e participar de atividades obrigatórias.
Especialistas alertam que a evasão universitária de estudantes com filhos representa uma perda não apenas para os alunos, mas também para o desenvolvimento social e econômico do país. Eles defendem a ampliação de programas de assistência estudantil, flexibilização acadêmica e oferta de espaços adequados para acolher crianças dentro das universidades.
O estudo reforça que investir em políticas de permanência pode reduzir a evasão, ampliar o acesso ao ensino superior e garantir que estudantes com filhos consigam concluir a formação sem precisar escolher entre a educação e a família.


