A grife francesa Louis Vuitton venceu, em primeira instância, uma disputa judicial contra a rede chinesa de casas de chá Molly Tea por suposta violação de propriedade intelectual. A decisão foi proferida por um tribunal da cidade de Suzhou, na China, que determinou o pagamento de uma indenização de 10,3 milhões de yuans (cerca de R$ 7,8 milhões) à marca de luxo.
Segundo a sentença, a Molly Tea utilizou em sua identidade visual um desenho floral de quatro pétalas considerado semelhante ao tradicional monograma da Louis Vuitton, presente em produtos como bolsas, malas e acessórios da grife francesa. O tribunal entendeu que o uso poderia causar confusão entre consumidores e configurar violação dos direitos sobre marcas registradas.
Além da indenização, a Justiça determinou que a empresa chinesa interrompa imediatamente o uso dos elementos visuais questionados e publique comunicados oficiais sobre a decisão em seus canais institucionais. A Molly Tea, que possui cerca de 2.300 lojas na China e também atua em países como Estados Unidos, Canadá e Austrália, informou que recorrerá da sentença.
O caso ganhou grande repercussão nas redes sociais chinesas, onde internautas passaram a debater temas como propriedade intelectual, identidade cultural e a utilização de símbolos tradicionais em marcas comerciais. Parte das críticas aponta que elementos florais semelhantes fazem parte da cultura chinesa há séculos, reacendendo discussões sobre os limites entre inspiração, apropriação cultural e proteção de marcas.
Especialistas destacam que a decisão se baseou na legislação chinesa de propriedade intelectual e no fato de a Louis Vuitton possuir registros anteriores dos desenhos utilizados no processo. Ainda assim, como a sentença é de primeira instância, o caso poderá ser reavaliado após o recurso apresentado pela empresa chinesa.


