Estrutura instalada no Hospital das Clínicas da USP acompanha sinais vitais de pacientes e utiliza inteligência artificial para identificar precocemente riscos de agravamento clínico
O Ministério da Saúde apresentou, nesta quinta-feira (3), a Central de Comando das UTIs Inteligentes do SUS, instalada no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP), em São Paulo. A estrutura permite o monitoramento, em tempo real, de pacientes internados em unidades de terapia intensiva (UTIs) inteligentes de seis hospitais brasileiros.
Atualmente, a tecnologia está presente em unidades localizadas em Manaus (AM), Recife (PE), Brasília (DF), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ) e Porto Alegre (RS).
Ao todo, o SUS já conta com 60 leitos inteligentes, equipados para transmitir informações clínicas em tempo real à central. Entre os dados acompanhados estão frequência cardíaca, saturação de oxigênio e pressão arterial.
Monitoramento 24 horas
A central funciona com seis telas interligadas às unidades participantes e conta com monitoramento contínuo, 24 horas por dia. O objetivo é permitir que profissionais de saúde identifiquem rapidamente alterações no estado clínico dos pacientes.
A tecnologia também utiliza inteligência artificial para análise preditiva de risco, permitindo identificar padrões que podem indicar melhora ou agravamento do quadro. A partir desses alertas, as equipes podem priorizar atendimentos e adotar medidas antes que uma eventual deterioração clínica se torne mais grave.
A iniciativa busca ampliar a capacidade de resposta das equipes médicas e melhorar o acompanhamento de pacientes internados em UTIs, especialmente em situações que exigem intervenção rápida.
Investimento supera R$ 180 milhões
De acordo com o Ministério da Saúde, o investimento total no programa de UTIs Inteligentes ultrapassa R$ 180 milhões.
A previsão é de expansão da iniciativa para outros hospitais de referência nos estados do Amazonas, Distrito Federal, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco e Rio Grande do Sul.
Além do atendimento aos pacientes, os dados produzidos pela rede poderão ser utilizados na produção de evidências científicas e no desenvolvimento e aperfeiçoamento de protocolos clínicos utilizados pelo Sistema Único de Saúde.
Tecnologia integrada à rede pública
A proposta é integrar tecnologia, análise de dados e atendimento médico em uma única rede de monitoramento. Com a transmissão contínua das informações dos pacientes, profissionais podem acompanhar à distância alterações nos sinais vitais e receber alertas relacionados ao risco clínico.
Segundo o Ministério da Saúde, a iniciativa coloca o Brasil entre os países que utilizam medicina preditiva de forma integrada na rede pública de saúde, com atendimento gratuito pelo SUS.
Novo instituto de emergência
Durante a apresentação da central, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também anunciou a seleção do Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente do Brasil como organização social responsável pela gestão do futuro Instituto Tecnológico de Emergência do HC-USP, que será construído em São Paulo.
A nova estrutura deverá ampliar a utilização de tecnologia e inovação na área de emergência médica, integrando dados e ferramentas voltadas à tomada de decisão clínica.
A Central de Comando das UTIs Inteligentes representa mais uma etapa na implantação de tecnologias de monitoramento e análise preditiva dentro do SUS, com a expectativa de expansão para outras unidades hospitalares do país.
Fonte: Ministério da Saúde, Agência Gov e Not Journal.


