Um menino de 3 anos com hepatoblastoma metastático, um tipo raro de câncer de fígado infantil, apresentou regressão completa da doença após receber uma terapia experimental com células CAR-T. O caso foi publicado em setembro no New England Journal of Medicine (NEJM).
A criança tinha metástases nos pulmões e já havia passado por três linhas de quimioterapia, além da retirada do tumor no fígado e de duas cirurgias para remover lesões pulmonares. Mesmo após os procedimentos, o câncer deixou de responder ao tratamento convencional e uma nova metástase surgiu no pulmão.
O menino foi então incluído no estudo CARE, um ensaio clínico de fase 1 que testa uma nova estratégia de CAR-T contra tumores sólidos. As células de defesa do próprio paciente foram modificadas em laboratório para reconhecer a proteína GPC3, encontrada em níveis elevados no hepatoblastoma, e também para produzir as proteínas interleucina-15 e interleucina-21, que ajudam a estimular a resposta imunológica.
Foram administradas duas infusões, com intervalo de oito semanas. Após a primeira aplicação, houve resposta parcial. Depois da segunda, os exames indicaram regressão completa da doença metastática, resultado que permaneceu por pelo menos 12 meses após o tratamento.
Apesar do resultado considerado promissor, os pesquisadores ressaltam que a terapia ainda é experimental. O relato envolve apenas uma criança e, por se tratar de um estudo de fase 1, são necessários novos estudos com mais pacientes e acompanhamento prolongado para avaliar a segurança e confirmar se o resultado poderá ser reproduzido.
A terapia CAR-T já é utilizada em alguns tipos de câncer do sangue, mas seu emprego contra tumores sólidos ainda enfrenta desafios. O caso representa, portanto, um sinal de potencial para novas estratégias contra cânceres resistentes, mas não comprova uma cura ou eficácia definitiva do tratamento.


