Manaus registrou níveis de poluição do ar até dez vezes superiores ao limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para a concentração de partículas finas. O cenário foi registrado nesta quarta-feira (23), em meio ao avanço das queimadas no Amazonas e à presença de fumaça sobre a capital.
Segundo pesquisadores do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), sensores da RedeAr apontaram, ao longo de setembro, uma média superior a 30 microgramas de PM2,5 por metro cúbico. A OMS recomenda até 15 µg/m³ como média diária. Na quarta-feira, foram registrados picos acima de 160 µg/m³.
A maior concentração de poluentes foi identificada em áreas próximas ao Encontro das Águas e ao longo da BR-319. De acordo com o IPAM, o aumento dos focos de queimadas na Região Metropolitana e em outras áreas do Amazonas tem contribuído para a formação das colunas de fumaça que chegam à capital.
Outro fator apontado pelos pesquisadores é a atuação do El Niño, que tem enfraquecido os ventos responsáveis normalmente por dispersar a fumaça. Com isso, a fuligem permanece concentrada sobre Manaus e municípios próximos.
O principal poluente associado às queimadas é o material particulado fino PM2,5, capaz de penetrar profundamente nos pulmões e alcançar a corrente sanguínea. A exposição pode provocar irritação nos olhos, nariz e garganta, tosse e inflamações, além de agravar problemas respiratórios e cardiovasculares.
O Amazonas registrou 3.240 focos de queimadas entre 1º e 22 de setembro, número 244% maior que os 942 focos registrados no mesmo período de 2025, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Em Manaus, o monitoramento municipal apontou concentração média de 188,5 µg/m³ de PM2,5 na quarta-feira, índice classificado como “péssimo”. A prefeitura também colocou a capital em estado de atenção devido ao agravamento da qualidade do ar.


