Decisão foi anunciada enquanto deputados discutiam o afastamento do presidente. Crise envolvendo o Ueno Bank deixou milhões de clientes sem acesso às contas e provocou protestos no país.
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia nesta quinta-feira (5), em meio à crise política e financeira provocada pelo colapso do banco digital Ueno Bank. O anúncio ocorreu enquanto a Câmara dos Deputados discutia a abertura de um processo de impeachment contra o chefe do Executivo.
Poucos minutos depois da declaração de renúncia, a Câmara aprovou por unanimidade, com 78 votos favoráveis e nenhum contrário, o impeachment de Peña. A decisão encaminhou as acusações ao Senado paraguaio, onde é necessária uma maioria de dois terços para a condenação e o afastamento formal do presidente.
Em pronunciamento divulgado em vídeo na rede social X, Peña afirmou que decidiu deixar o cargo considerando a estabilidade do país, a paz social e a preservação das instituições democráticas.
O presidente também pediu desculpas à população caso tenha falhado em algum momento e afirmou que sua prioridade é garantir a devolução dos recursos aos clientes afetados pela crise bancária, além da proteção dos fundos públicos.
Crise envolvendo o Ueno Bank
A crise teve início após o Banco Central do Paraguai intervir no Ueno Bank, instituição financeira digital que enfrentava problemas relacionados aos índices de solvência e à concessão de empréstimos.
A intervenção deixou aproximadamente 3 milhões de clientes sem acesso às contas bancárias, em um país com cerca de 6,5 milhões de habitantes. A situação provocou preocupação entre correntistas, protestos em frente às agências e manifestações na capital, Assunção.
A instituição administrava aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo depósitos de fundos previdenciários.
O caso também resultou na renúncia do então presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, e na detenção de oito executivos ligados ao banco. Além disso, 27 pessoas relacionadas à instituição foram formalmente acusadas, segundo informações divulgadas pela Reuters.
Acusações contra o presidente
A oposição paraguaia acusou Santiago Peña de possíveis conflitos de interesse, uso indevido de recursos previdenciários e acobertamento institucional relacionado à crise do banco.
As acusações também envolvem a relação anterior do presidente com o grupo empresarial responsável pelo Ueno Bank. Peña foi acionista do Grupo Vázquez, controlador da instituição financeira, até março de 2025.
O presidente rejeitou as acusações de irregularidades e afirmou anteriormente que eventuais responsabilidades deveriam ser apuradas pela Justiça.
Sucessão presidencial
Com o anúncio da renúncia e a aprovação do impeachment pela Câmara, o processo de transição do governo passou a depender dos procedimentos institucionais no Congresso paraguaio.
O vice-presidente Pedro Alliana é apontado como sucessor de Peña. A expectativa, segundo informações da Associated Press, era de que o Congresso formalizasse o recebimento da renúncia ainda nesta quinta-feira (5), permitindo a posse do vice-presidente.
A crise representa um momento de instabilidade política no Paraguai, após manifestações populares e questionamentos sobre a relação entre o poder público e a instituição financeira.
Fonte: G1


