Ex-investidor da holding ligada ao banco, presidente deixa o cargo após protestos de correntistas e pressão de parlamentares por impeachment; depósitos de órgãos públicos na instituição também estão sob questionamento.
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) sua renúncia ao cargo, em meio à crise política e financeira envolvendo o Ueno Bank. A decisão ocorreu após protestos de correntistas que ficaram sem acesso ao próprio dinheiro e diante da pressão de parlamentares pela abertura de um processo de impeachment.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Peña afirmou que decidiu deixar a Presidência para preservar a estabilidade do país e as instituições democráticas. O então presidente também pediu desculpas à população, mas não assumiu responsabilidade pela crise bancária.
O Ueno Bank foi alvo de intervenção do Banco Central na terça-feira (3), após apresentar insuficiência de capital. A restrição dos serviços provocou dificuldades para os clientes acessarem seus recursos e gerou filas nas agências.
A relação de Peña com a instituição financeira também passou a ser questionada. O presidente foi investidor da holding ligada ao banco até março de 2025. Além disso, depósitos de órgãos públicos paraguaios no Ueno chegaram a aproximadamente US$ 869 milhões, o equivalente a 29% do total de depósitos da instituição ao final de junho, segundo informações da Bloomberg.
A crise também atingiu o Banco Central do Paraguai. Carlos Carvallo, que havia dirigido a instituição que antecedeu o Ueno, anunciou sua saída após o escândalo.
Diante das suspeitas envolvendo o caso, a oposição anunciou uma denúncia criminal contra Peña e outras autoridades. As acusações ainda estão sob investigação.
Embora o vínculo societário anterior do presidente com a holding do banco esteja entre os pontos questionados, essa relação, por si só, não comprova participação em eventual fraude.
A renúncia ocorre em meio a uma das maiores crises políticas e financeiras recentes do país, com questionamentos sobre a relação entre o poder público e a instituição financeira.
Fonte: Not Journal.


