Manifestações convocadas por sindicatos ocorreram em várias cidades nesta quinta-feira (5), em meio a reivindicações por melhores salários e serviços públicos; governo mobilizou cerca de 70 mil policiais para acompanhar os atos.
Quase 600 mil pessoas participaram de manifestações em diferentes cidades da França nesta quinta-feira (5), segundo estimativa divulgada pelo Ministério do Interior do país. O número representa o maior volume de participantes desde o início da atual onda de agitação social, em setembro.
Mais cedo, por volta das 13h, no horário local, o ministério havia contabilizado aproximadamente 270 mil manifestantes. A estimativa inicial não incluía Paris, onde uma marcha começou durante a tarde. Os números finais ainda seriam divulgados pelas autoridades.
Os protestos foram convocados por grandes sindicatos franceses e contaram com a participação de trabalhadores de diferentes setores, estudantes e profissionais de serviços públicos. Entre as principais reivindicações estão melhorias salariais, redução do custo de vida e melhores condições nos serviços públicos e na educação.
A mobilização ocorre após episódios de tumultos e saques registrados em 17 de outubro, quando lojas e prédios públicos foram danificados em diferentes regiões do país. Os acontecimentos aumentaram a pressão sobre o governo do presidente Emmanuel Macron e provocaram críticas à condução da crise.
Diante do cenário, as autoridades francesas anunciaram a mobilização de aproximadamente 70 mil policiais em todo o território nacional para acompanhar as manifestações e evitar novos episódios de violência.
A porta-voz do governo, Maud Bregeon, afirmou que as autoridades estavam em alerta para impedir a repetição dos acontecimentos de outubro.
Greve afeta escolas, universidades e transportes
A paralisação nacional também provocou impactos em serviços essenciais. Segundo dados do Ministério da Educação francês, aproximadamente 13% dos profissionais da rede escolar aderiram à greve, incluindo 16% dos professores.
Cerca de 19% das escolas e 18% das instituições de ensino superior foram afetadas pelas paralisações. Nas universidades, aproximadamente um terço das instituições registrou interrupções nas atividades.
Na área da saúde, cerca de 4% dos funcionários dos hospitais públicos participaram da greve, segundo o Ministério da Saúde. A pasta informou que não foram registradas interrupções significativas nos serviços hospitalares.
O transporte ferroviário também sofreu impactos. Quatro em cada dez trens programados para esta quinta-feira foram cancelados. Parte dos cancelamentos, porém, ocorreu por outros motivos, como indisponibilidade de equipamentos.
As manifestações desta quinta-feira representam o maior dia de mobilização desde o início da atual onda de protestos, embora, segundo as estimativas, ainda não tenham alcançado a dimensão dos atos realizados em 2023 contra a reforma da previdência francesa.
Fonte: CNN Brasil.


